Vanitas… (II)


Descobri hoje um blogue muito interessante, não só para quem se dedique ao res-tauro e conservação, mas também para todos aqueles que dedicam à história de arte, a estudos do património, etc, etc…
É uma boa forma de divulgar um trabalho que geralmente não é visível para o comum dos mortais e que pode levar a um maior empenho e ‘curiosidade’ de públicos mais vastos na defesa e preservação de monumentos. Uma boa iniciativa!
O primeiro post:
«Historial dos Trabalhos
Por estes meses a Charola do Convento de Cristo tem estado ocupada por andaimes. Os trabalhos de restauro desta igreja templária começaram em 2007 e ainda duram. Tudo para dar uma nova cor a este monumento.
A Charola é uma igreja construída no século XII, pelos Templários e faz parte do conjunto patrimonial do Convento de Cristo, classificado Monumento Nacional em 1907 e Património da Humanidade, pela Unesco, em 1983.
Do exterior, a igreja mostra-se como um polígono de 16 faces, mas no seu interior a Charola tem, ao centro, uma estrutura octogonal com arcos e está rodeada por uma galeria mais larga, o deambulatório. Sofreu modificações durante o reinado de D. Manuel I, com a abertura do Arco triunfal para Ocidente, e com o acrescento de novas pinturas e esculturas.
A Mesquita de Omar e a Igreja do Sagrado Sepulcro, ambas em Jerusalém, são apontadas normalmente como modelos para a Charola.
No Convento de Cristo, bem como no castelo, podem encontrar-se exemplos de vários estilos arquitectónicos e a Charola não escapa a essa diversidade. Nela encontram-se traços de uma arquitectura Românica, relacionado com os templários, mas também esculturas e decorações de estilo Gótico tardio e Manuelino.
Em 1988 foram montados uns andaimes de madeira para que se procedesse a uma análise da situação e também a pequenos trabalhos de restauro. Devido a esses trabalhos o acesso dos visitantes à Charola foi impossível até 1999.
Actualmente a equipa de conservação encontra-se a trabalhar no restauro de vários tramos da Charola, o nome dado às várias faces do deambulatório, e do Arco Triunfal. Nos últimos sábados de cada mês existem visitas guiadas onde se poderá perceber melhor o restauro a que este monumento está a ser sujeito e também observar zonas da Charola que só subindo às alturas nos andaimes se podem ver em pormenor.»
Morada: www.charola.blogs.sapo.pt.

Visitas guiadas às colecções e espaços do Museu da Casa de Bragança (Vila Viçosa):
31 de Maio - Porcelana da China, Mª Antónia Pinto de Matos
Conservadora de Cerâmica do Museu Nacional de Arte Antiga
28 de Junho - O Príncipe D. Luís Filipe em África, Tiago Salgueiro
Técnico Superior do Museu da Casa de Bragança
27 de Setembro - D. Carlos de Bragança em Vila Viçosa, Mª de Jesus Monge
Directora do Museu da Casa de Bragança
Outubro - O fresco maneirista no Paço Ducal de Vila Viçosa, Vítor Serrão
Professor Catedrático da Faculdade de Letras, Universidade Clássica de Lisboa.
As visitas iniciam-se às 11 horas.
Para marcação e demais informações p.f. contacte
o telefone 268 980 659 ou palacio.vilavicosa@mail.telepac.pt.
«VIII Oficina da História da ULHT - “História: Que Futuro?”
O Curso de História na Universidade Lusófona (Lisboa - Campo Grande, 376) organiza todos os anos uma Oficina da História para conscientizar e treinar os jovens estudantes nos segredos da História! Porque será que os políticos dão e controlam subsídios para a investigação histórica? Promovem alguns projectos comemorativos e marginalizam outros? Porque será que todos se interessam pela história quando estão à borda da reforma? Porque será que tanta gente se irrita quando alguém lhes conta o seu passado de maneira diferente daquela que gostariam de ouvir, e sentem-se felizes quando se concorda com a sua versão do passado? Porque promovia o Estado Novo uma história “nacionalista-patrioteira” e passada pelo crivo da censura como conhecemos? Porque, porque, porque?
A próxima VIII edição da Oficina da História em 02 de Junho (18h00-22h00, no auditório Pessoa Vaz, da ULHT, Campo Grande) vai debruçar-se sobre História e Empregabilidade, um tema preocupante para os que se interessam em enveredar pelos caminhos da História! Partilharão as suas experiências alguns licenciados em História na Universidade Lusófona.
Felizmente, nem todos se deixam levar pelo desânimo e perspectivas de empregabilidade em tempos que vivemos! Dizia um especialista na reforma de Bolonha há duas semanas numa sessão de avaliação na Universidade Lusófona, que ele antes empregaria um licenciado em História num jornal, de preferência a um licenciado em Ciência de Comunicações. Acha que neste país “comunica-se bem” muita informação errada e mal digerida.
Eis o que diz um outro educador e historiador:
“É verdade que a História não tem uma utilidade prática evidente: não ensina a manejar uma máquina registadora num qualquer hipermercado e não reduz o esforço do trabalho numa obra pública de construção civil. Também não ajuda a acelerar o processo de criação de uma empresa-fantasma destinada a colher subsídios e morrer, nem mesmo é condição vantajosa para se progredir na estrutura local ou nacional de uma agremiação partidária do centrão governativo.
Mas a História, enquanto disciplina que pretende transmitir uma Memória do que nos é ancestral, levar-nos a conhecer o que outros experimentaram, o que sofreram e como o ultrapassaram, assim como tudo aquilo que funcionou bem e como foi feito, é essencial para formar cidadãos informados e capazes de emitir opiniões que não sejam condicionadas apenas pelos apelos mais imediatos.
De certa forma, a História e a Memória ajudam a criar um modelo de cidadão indesejável nos tempos que correm, porque será necessariamente, pelo menos em parte, um Homem Velho por ter dentro de si o conhecimento, mesmo que parcelar e parcial, do passado. E os novos tempos querem um Homem Novo, o mais vazio possível para que seja possível impregná-lo com tudo aquilo que a propaganda de hoje quer fazer passar como sendo os valores essenciais da modernidade tecnológica, mas que mais não é do que a redução dos indivíduos a autómatos.” (Paulo Guinote)
Leia mais aqui: http://www.aph.pt/opiniao/index.html.»

«Incêndios: Chamas em edifício no centro histórico de Évora já extintas
Évora, 28 Abr (Lusa) - O incêndio que deflagrou cerca das 19:00 de hoje num edifício devoluto no centro histórico de Évora foi extinto uma hora depois, tendo as chamas destruído os antigos arquivos da Citroen e parte da cobertura.
De acordo com o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora, o fogo, que deflagrou nas antigas instalações da Citroen, na Rua do Raimundo, onde apenas permaneciam os arquivos, foi extinto por volta das 20:10. A fonte do CDOS de Évora acrescentou que as chamas não colocaram em perigo quaisquer outras habitações contíguas.
O combate ao fogo mobilizou dez bombeiros da corporação de Évora.»
Site da RTP.
1. Para lá do possível perigo de afectar casas de habitação o edifício afectado pelo incêndio está situado mesmo ao lado da igreja das Mêrces, onde estão os serviços técnicos e administrativos do Museu de Évora. Felizmente os bombeiros foram rápidos a actuar e tudo não passou de um susto.
É que ver um grande rolo de fumo negro a sair do edifício, já que fui testemunha em primeira mão deste infeliz incidente, numa zona habitacional mesmo ao lado de tanto património do museu (para lá da igreja em si) foi um grande susto.
Só espero que a responsabilidade não morra solteira….
2. Um comentário, de alguém bem informado, sobre este caso: «O problema é bem mais grave que um simples edifício a arder… Visto que o prédio que fazia de oficina da citroen e casa de habitação dos seus proprietários, está fechado por ordem do Ministério das Finanças, mas tem estado bem aberto ao “saque”, pois já há várias semanas que um grupo de pessoas sistemáticamente ligavam para a PSP alertando para o facto de o entra e sai constante de jovens e para o estado de destruição que se notava de dia para dia… Já era de prever … Mas qual é o papel do estado? Já que a PSP nada pode fazer pois a lei não lhe permite entrar em casa alheia. Quem será o responsável por que vier a acontecer daqui para a frente? Não esquecer que junto a este edificio funcionam os serviços do Museu de Évora, provisoriamente é claro, mas estão lá e só não foram pelos ares porque alguém passou e viu a tempo, se fosse de noite como seria?» (Retirado daqui)