Wednesday, January 31, 2007

Évora quotidiana (XIX)

  “(…) Depois, como o dia estivesse lindissimo, passeou-se pela cidade, a vêr a sua industria do mobiliário, cujos motivos, numa polycromia viva e risonha, exhibem flores e folhagens, corações trespassados por settas, nas cómodas, nos toucadores, nas cadeiras com assentos de tábua, nos catres e nos berços; a vêr os ferreiros, os cesteiros, os esteireiros, os teares manuaes, os curtidores das Alcaçarias e as lãs carmiadas, os tijoleiros, os tanoeiros, a carpintaria dos carros e dos utensílios de lavoira, os borracheiros, que fazem odres e borrachas; a vêr as tapeçarias de Arrayolos e sua industria de carnes ensacadas, a vêr as doçarias e comer os doçes.
  A vêr, ainda, a vetusta cidade pelo seu aspecto commercial e através do seu pittoresco, a buscar impressões das suas praças com suas fontes, das ruas, travessas, vielas e becos com seus nomes caracteristícos: – Largo da Porta da Moira, Rua do Alfayate da Condessa, Rua das Amas do Cardeal, Beco do Chantre, Alcarcova, Rua do Toiro, Rua das Donzellas, Rua dos Mercadores, Rua de Alconchel, Rua de Alcoutim, Rua dos Aferrolhados, Travessa do Cavaco e outros; a vêr transitar os homens de tez morena, com chapeus carregados aos olhos, capotes de almafega, de lã churra, com cabeções e gualdrapas, embrulhados em mantas d’ Almodovar ou com samarras e ceifões de lã negra de ovelha, e, num que noutro sítio – carros de canudo, tirados por muares com xaireis pintados e cabeçadas de lãs garridas, bordadas pelas mulheres de Arrayolos, ou parados á porta das vendas, onde o vinho das talhas de barro é medido em canecas sobre alcadefes, e d’onde saem plangentes cantares, acompanhados pela adufa arabe. (…)”

José Queiroz, Da minha terra: figuras gradas. Impressões de arte, 1.ª ed. facsimile, Lisboa, Cultarte Editora, 2003, pp. 20 - 21.
Primeira edição de 1909, pela Imprensa Libanio da Silva. Ilustrações de Roque Gameiro e Santos Silva.
Este pequeno excerto é retirado do capítulo “Joaquim de Vasconcellos, Carolina Michaëlis de Vasconcellos - Evora.”
O autor e os seus ilustres acompanhantes visitaram a cidade, os seus monumentos, divagaram sobre a história e observaram o pitoresco local.
Na transcrição foi mantida a grafia da época.

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Wednesday, January 24, 2007

In memoriam

Prof. Doutor A. H. Oliveira Marques
1933-2007

O Prof. Doutor Oliveira Marques, professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, foi uma personalidade de renome nacional e internacional que esteve ligada a esta instituição desde a sua fundação, uma vez que desempenhou o cargo de Presidente da sua Comissão Instaladora entre os anos de 1977 e 1980 e Presidente do seu Conselho Científico em dois triénios (1981-83 e 1984-1986). Medievista de renome, considerado como um dos renovadores da moderna historiografia portuguesa, o Prof. Oliveira Marques detinha um vasto curriculum de publicações, entre as quais se pode destacar a História de Portugal, obra traduzida para inglês, francês, japonês, castelhano e polaco ou as obras de referência Portugal na Crise dos séculos XIV e XV e O «Portugal Islâmico». A sua investigação alargou-se ainda a outros âmbitos como nomeadamente à História Contemporânea Portuguesa. Assinale-se ainda a coordenação de significativas obras colectivas como a Nova História de Portugal, a Nova História da Expansão Portuguesa, ambas em colaboração com Joel Serrão, e a História dos Portugueses no Extremo Oriente. Uma intensa actividade de investigador, conferencista e divulgador traduziu-se na publicação de mais de 60 livros e de um milhar de publicações avulsas dispersas por revistas, dicionários e enciclopédias.

O Prof. Oliveira Marques destacou-se nesta Faculdade pela qualidade da sua docência, pelo papel desempenhado no lançamento de novos investigadores - foi co-fundador do 1º curso de mestrado da área de História leccionado em Universidades portugueses (História Medieval, 1981), pela exigência intelectual que sempre revelou e pela inovação que imprimiu à sua investigação.  [link]

Informação sobre este importante historiador nestas moradas:

http://members.tripod.com/~Oliveira_Marques/

http://www.editpresenca.pt/autores_resultado_detalhe.asp?letra=M&autor=921

http://www.unl.pt/unl/noticiastodas/faleceu-o-professor-doutor-a-h-de-oliveira-marques

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Thursday, January 18, 2007

Évora Desaparecida - Fotografia e Património 1839-1919

Exposição inserida nas Comemorações dos 20 Anos da Classificação de Évora como Património da Humanidade, patente ao público, entre 25 de Novembro de 2006 e 28 de Fevereiro de 2007, no Convento dos Remédios (à porta de Alconchel).

Visitas guiadas:

3 de Fevereiro de 2007, 15h - conferência e visita orientada por Carlos Teixidor Cadenas, conservador da Colecção Laurent, do Instituto do Património Histórico Espanhol.

23 de Janeiro de 2007, 18h - “José Júlio Bettencourt Rodrigues - Um químico nos primórdios da Fotografia”, conferência e visita orientada pela Profª. Drª. Ana Cardoso Matos.

20 de Janeiro de 2007, 15h - “Évora e a Arquitectura do Ferro”, conferência e visita orientada pelo Dr. João Pereira.

18 de Janeiro de 2007, 18h - “Em busca da cidade Perdida. Condição e destino dos Monumentos Históricos Eborenses (1834-1920)”, conferência e visita orientada pelo Dr. Paulo Simões Rodrigues.

Reportagem sobre a exposição na TV Évora:  http://www.tvevora.com/index.php?act=emissao&menu=3&vid=18

Outras actividades culturais consultar a agenda cultural: http://www.cm-evora.pt/agendacultural .

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A que sabe a Lua…

E porque as promoções são quando uma loja quiser…

 

A partir de 18 de Janeiro e até ao fim do mês: promoções, descontos, etc.
 
Rua do Raimundo, 93-A, 7000-661 Évora
 
http://www.aquesabealua.blogspot.com
 
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Sunday, January 14, 2007

Quietude

Samuel Halpert - Farm Interior (c.1924).  Smithsonian American Art Museum.

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Wednesday, January 3, 2007

Tradição - Festa de Reis

 

 Aproxima-se o Dia de Reis, onde em alguns países (como a Espanha) ocorre a tradicional troca de presentes, que não acontece no dia de Natal, como em Portugal, mas sim no dia 6 de Janeiro, que segundo o catolicismo seria o dia em que uns reis magos adoraram o recém nascido Jesus.
 O Dia de Reis, ou Epifania, é um dia de alguma importância na tradição religiosa nacional, no qual tem lugar, para lá da celebração religiosa, distribuição de comida, cantares, confraternização, em suma um acto de partilha e de reforço do sentimento comunitário, praticamente extinto nos grandes aglomerados habitacionais.
 Como curiosidade refira-se que o cristianismo celebrou o nascimento de Jesus no dia 6 de Janeiro até ao ano de 353 d.C., passando depois dessa data a ser celebrado a 25, o dia do solstício de Dezembro. Contudo para os cristãos ortodoxos o dia 6 continua a ser o dia da Natividade de Cristo, festividade também chamada de “Páscoa de Inverno”.

Uma sugestão (alentejana) para comemorar o Dia de Reis: 

 ”O Grupo Coral Brisas do Guadiana vai cantar os reis nos dias 5 e 6 de Janeiro em diversos locais da cidade de Moura, tal como em anos anteriores. Este ano, também o Grupo Coral Etnográfico do Ateneu Mourense vai cantar os reis, na noite de 5 para 6 de Janeiro, como manda a tradição. Envergando os trajes característicos alentejanos, o grupo levará cânticos próprios da época aos utentes de diversas instituições. Os cânticos terminarão em frente a uma fogueira, na Praça Sacadura Cabral, com bolo-rei e vinho abafado.”

 Em alternativa, no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz, um concerto com o título “Monsaraz, Cante e Poesia”.

Posted by Sertorius at 13:29:35 | Permalink | Comments (4)