«Caiação das fachadas dos edifícios do Centro Histórico
A Câmara Municipal de Évora iniciou este mês de Julho a empreitada resultante do concurso público “Caiações/Centro Histórico – Obras de Beneficiação de Fachadas”, que consiste na execução das pinturas das fachadas dos imóveis que foram afectados pelas intervenções realizadas no âmbito do URBCOM-Sistema de Incentivos a Projectos de Urbanismo Comercial, que foram concluídas no final do ano passado.
Recorde-se que o programa URBCOM consistiu na renovação e reordenamento de vários espaços urbanos da cidade, bem como a melhoria das infra-estruturas existentes (redes de água, esgotos, telefone, electricidade e TV cabo), a introdução de novas infra-estruturas (gás natural), a remodelação de pavimentos, com a consequente melhoria da circulação pedonal e da estética das ruas. Os cabos aéreos foram enterrados, beneficiando assim as fachadas dos prédios. Neste sentido, as caiações serão a etapa final deste processo de requalificação.
Nestes trabalhos finais estão abrangidos imóveis situados na Rua Elias Garcia, Largo Luís de Camões, Rua João de Deus, Praça do Sertório, Rua Miguel Bombarda, Largo Álvaro Velho, Largo de S. Vicente, Largo da Misericórdia e Rua da Misericórdia. Os trabalhos visam a conservação de superfícies e, em casos justificados, serão também recuperados os revestimentos e rebocos. A empreitada é co-finaciada pelo Instituto de Turismo de Portugal e resulta de um acordo de colaboração entre a Câmara Municipal de Évora e a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos do Sul, responsável pelo projecto e acompanhamento da obra. O custo dos trabalhos será partilhado entre a autarquia e os proprietários, num montante que se aproxima dos 150 mil euros. Prevê-se que esta intervenção esteja concluída no final de Setembro.
20-07-2006» Texto retirado do site de CMÉ (secção Notícias & Destaques)
O texto a cima citado é muito explícito, o problema é que as mentes iluminadas da CMÉ ou não sabem o que é caiação ou pura e simplesmente optaram por uma solução tripartida falseada (mais barata): «o branco das paredes não é todo igual: nuns casos é tinta plástica [???], noutros cal, noutros ainda um produto à base de silicato de potássio. Há mesmo ruas em que de um lado as fachadas estão todas pintadas a tinta de silicato e do outro a cal». [Público, Local, 10 Out. 2006]
Esta notícia surge hoje no caderno Local (Sul), do Jornal Público, página 57, e tanto quando sei não tem versão electrónica. Na mesma página vem um artigo de opinião sobre o mesmo assunto, que recomendo vivamente a leitura, de Margarida Donas Botto (Direcção Regional de Évora do IPPAR) a explicar o que a CMÉ fez de errado.
Já me tinha parecido que os 157 mil euros gastos nesta (semi) caiação tinham sido utilizados numa manobra de cosmética, já que apenas algumas ruas do centro histórico eram contempladas, as mais importantes/movimentadas, enquanto que nas outras dezenas de ruas os donos das casas que se arranjassem! É claro que a cal e o caiar saem caro, mas numa cidade Património Mundial, não há margem para “troca tintas”, ou se age com ética e se intervém e protege o património com rigor ou então apenas temos manobras camarárias para encher o olho.
E ainda bem que este embuste veio a público pois a cidade de «Évora possui um património notável de revestimentos à base de cal, ainda insuficientemente conhecidos e estudados (…). Esgrafitos, trabalhos em massa, estuques e fingidos ornamentam pilastiras, frisos, molduras de vãos e lambris de edifícios, sendo que muitos deles se encontram ocultos por camadas sucessivas de pintura [muita dela tinta plástica que não deixa "respirar" os materiais de contrução] ou por intervenções pouco cuidadas (…)». [Público, idem]
Enfim é uma triste notícia, e proceder da Câmara Municipal de Évora, que a meu ver vem ensombrar os 20 anos de Évora Património Mundial…