O bloguista Zé d’ Évora, que nos últimos tempos tem blogado pouco, num comen-tário ao post de dia 18 Maio, sobre o Dia Mundial dos Museus e Exposição Escultura Naturalista do Museu de Évora… revelou dúvidas quanto ao facto de o Asilo de Infância Desvalida de Évora Ramalho-Barahona (actualmente o edifício faz parte do Hospital da Misericórdia de Évora) ter sido mandado construir por Francisco Barahona. Esta dúvida tem a sua razão de ser, mas é facilmente explicada.
Ora o nome do Asilo é composto por dois nomes: “Ramalho-Barahona”, sendo o primeiro destes o apelido do primeiro marido de D.ª Ignácia Angélica Fernandes Ramalho Barahona, o abastado proprietário/lavrador José Maria Ramalho Diniz Perdigão, que ao morrer deixou expresso no testamento, e cito de memória, a quantia de dez contos de réis para a construção do dito Asilo, contudo foi o segundo marido da dita senhora, o dr. Barahona, aquele que ficou ligado à construção do edifício. Daí que tenha o nome dos dois, mas entre os eborenses seja conhecido simplesmente por Asilo Barahona.
Ambos os esposos de D.ª Ignácia foram proprietários/lavradores riquíssimos e que influenciaram, e muito, a cidade de Évora. Infelizmente as suas acções cívicas, na área política e vida pessoal são relativamente desconhecidas, já que nenhum descendente ou historiador publicaram documentos pessoais ou fizeram análise detalhada e minuciosa sobre os dois. Sobre a D.ª Ignácia a situação é pior, já que tirando alguns dados biográficos e epítetos da época, não se sabe nada desta mulher, exceptuando que era rica e esmoler! Uma interessante e útil ideia seria estuda-los…
Sobre Francisco Eduardo de Barahona Fragoso aqui fica este pequeno excerto de uma notícia referente ao seu falecimento:
“O finado era bacharel formado em direito par do Reino, oficial-mór da Casa Real, Grão Cruz e comendador da ordem de mérito agrícola, e fidalgo de antiga linhagem, era moço fidalgo, com exercício, da Casa Real. Mais honrarias poderiam ter, se as ambicionasse, pois as que tinha lhe foram conferidas sem que as solicitasse!” [Acrescento ainda cacique local do Partido Progressista, presidente da Câmara de Évora, maçon, mecenas generoso, especialmente nas artes, agricultor inovador, e tanto el-rei D. Luís I e D. Carlos I hospedavam-se no seu palácio em Évora...]
Notícias de Évora, n.º 1301, ano 1905.