Friday, April 29, 2005

Noite de Abril

 

Karl Schmidt-Rottluff – Houses at Night (1912)

 

 

Hoje, noite de Abril, sem lua,

A minha rua

É outra rua.

 

Talvez por ser mais que nenhuma escura

E bailar o vento leste

A noite de hoje veste

As coisas conhecidas de aventura.

 

Uma rua nova destruiu a rua do costume.

Como se sempre nela houvesse este perfume

De vento leste e Primavera,

A sombra dos muros espera

Alguém que ela conhece.

 

E às vezes, o silêncio estremece

Como se fosse a hora de passar alguém

Que só hoje não vem.

 

Sophia Andersen – POESIA I (1944)

 

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Thursday, April 28, 2005

Genocídio (Quase) Esquecido

Mulher Arménia [http://www.postcardman.net]

 

  No passado dia 24 de Abril comemoraram-se os 90 anos do genocídio arménio perpetuado pelo Império Otomano.

  De 1915, até aos primeiros anos da década de 20, inúmeros arménios (cristãos) foram assassinados ou levados a marchas forçadas pela Anatólia até ao deserto da Síria. Por fome, fuzilamento ou cansaço estima-se que um milhão e meio de pessoas morreram (o número exacto é controverso). Após a I Guerra Mundial os restantes arménios foram massacrados ou expulsos das suas terras ancestrais. Regiões históricas, no que é hoje a Turquia, onde o povo arménio coabitou com curdos e turcos durante séculos, foram esvaziadas dos seus habitantes arménios.

  No rescaldo da I Guerra Mundial foi criado um estado arménio independente, no Cáucaso, com capital em Erevan. A diáspora arménia estende-se actualmente pelos USA, França e outros países europeus e sul americanos. Existem comunidades/igrejas arménias na Síria, Palestina, Iraque e Irão.

  A comunidade arménia na Turquia é hoje residual. O estado turco nunca reconheceu o genocídio, apesar dos relatos de vítimas que escaparam e das provas documentais e fotográficas.         

 

  Foi o primeiro genocídio do século XX. Infelizmente o precursor de muitos outros.

 

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Wednesday, April 27, 2005

Robert Frederick Blum - Aguadeiro espanhol [Toledo] (1882)

 

Pergunta de um eborense perplexo: As cidades de excelência

 não deviam ter um abastecimento de água de excelência!?

 

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Tuesday, April 26, 2005

Conversa em Família

Vagueando na net descobri recentemente um site muito interessante para todos os que gostam de História. Tem notícias, testes, informações históricas interessantes….

Na secção «Documentos» tem a transcrição (julgo que completa) da última «Conversa em Família» de Marcello Caetano, a 28 de Março de 1974. A situação na «África portuguesa» e o golpe militar das Caldas da Rainha (16 de Março 1974) são os tópicos principais desta conversa didáctica sobre os tempos difíceis que atravessava o regime. A ler!

Consultar em:  http://historiaaberta.com.sapo.pt/

 

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Monday, April 25, 2005

Queda do Regime

A foto de Salazar é apeada

Militar de Abril na sede da PIDE/DGS (1974)

 
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Sunday, April 24, 2005

Casa de Garrett

 

 

  Nos últimos meses vem arrastando-se uma polémica sobre a preservação, ou não, da casa lisboeta onde Almeida Garrett viveu e morreu. Pessoalmente acho que é uma polémica estéril e que a casa não merece tanta preocupação na sua salvaguarda. Quantas casas dos anos 20/30 (Arte Déco), com merecimento artístico,  tem sido destruídas em Lisboa, muito mais relevantes para a história artística e urbanística do que esta casa de Garrett, e ninguém se move(u) para as salvar…

  A dita casa, situada na Rua Saraiva de Carvalho, no Campo de Ourique, é propriedade do actual ministro da Economia, que pretende demoli-la parcialmente e construir no seu lugar um prédio e um parque de estacionamento.

  Para preservar a casa várias entidades ligadas à cultura, assim como o deputado Manuel Alegre, e uma petição online, tentam pressionar a Câmara Municipal de Lisboa a classifica-la de imóvel de interesse concelhio, e deste modo salva-la. Na petição online, segundo o Público Local de 23/04/05, é afirmado que «o prédio faz parte da geografia literária da cidade» e que é um edifício relevante para a identidade lisboeta.

  Ora, a meu ver, estas afirmações são estranhas já que:

 

1. A geografia literária lisboeta parecia desconhecer a dita casa até há pouco tempo, e também não conheço actividades turísticas ou lúdicas referentes a ela. Ou seja a preocupação é recente. Não resta qualquer tipo de espólio na casa referente a Almeida Garrett.

 

2. A identidade lisboeta terá mais empatia e urgência em defender do camartelo outros edifícios de relevo. (ex. parte do Aqueduto das Águas Livres).

 

3. O incoerência do IPPAR. Muitos edifícios (lisboetas ou não) e locais arqueológicos  por todo o país estão por classificar e proteger, merecendo mais atenção do que este. Seria, por exemplo, muito mais relevante este organismo ter protegido anteriormente (de facto) a Quinta da Bacalhoa das mutilações e destruições que sofreu pelo actual proprietário.

 

  Os monumentos que merecem ser salvos pelos seus frescos, peculiaridades arquitectónicas ou estilísticas desaparecem na voragem do progresso um pouco por todo o país, provocando essa destruição poucos  protestos. É estranho que uma casa que não tenha assim tanto relevo histórico ou artístico provoque tanto celeuma.

  Se querem honrar o autor de Frei Luís de Sousa promovam as suas obras no ensino escolar, maratonas de leitura dos seus livros, colóquios sobre a sua vida e obra e traduções noutras línguas.

 

  A sua interessante obra literária é o melhor legado que Almeida Garrett deixou e que urge defender. Pensem nisso os senhores do Pen Club, Centro Nacional de Cultura e Sociedade Portuguesa de Autores.

 

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Friday, April 22, 2005

Presépio revolucionário

Cartoon de José Vilhena (Dezembro 1974)

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Wednesday, April 20, 2005

Évora quotidiana (IV)

 «Nas  proximidades do Theatro Lisbonense,  – entre o 2º e o 3º acto, – foi aggredido o Manuel da Jardineira, por um individuo que deu ás de villa Diogo logo que presentiu a policia.»

 

—–

 

 «Maria Joanna queixou-se de que certo Nicolau lhe furtou um lenço de seda e uma saia, indo offerecer esses objectos a outra mulher.»

 

—–

 

 «Ás 8 horas da noite, houve na rua do Lagar do Dizimos uma desordem incruenta, mas onde retiniu a bella bofetada. Acudiu a policia.»

 

 

 

Noticias de Evora, 25.10.1904, Anno V

 

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Monday, April 18, 2005

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

 Criado a 18 de Abril de 1982 pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) e aprovado pela UNESCO, este dia tenta dar visibilidade aos monumentos e sítios (arqueológicos, bairros históricos…).

 Em Portugal o dia passa um pouco desapercebido, mesmo em entidades que têm responsabilidades a nível patrimonial, sendo que a população em geral quase que desconhece este dia.

Cativar e levar os portugueses, neste dia, a visitar monumentos onde existissem acções de consciencialização era uma ideia que deveria ser implementada!

 

 Honra seja feita ao IPPAR que para comemorar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios abre hoje uma Feira do Livro nas suas lojas, nos monumentos dependentes do Instituto. A Feira dura até dia 29  deste mês e os livros têm desconto.

 

 Em Évora, hoje e amanhã, vai decorrer a 4ª Conferência Regional do Secretariado do Sul da Europa/Mediterrâneo, da Organização das Cidades Património Mundial.

 Da agenda consta a apresentação do Portal URBO, um portal técnico que disponibiliza informações relacionadas com a gestão das cidades históricas. Também vários oradores vão falar sobre os problemas/soluções urbanísticas  referentes às cidades Património Mundial.

 No dia 19, o arquitecto Manuel Salgado, irá  apresentar o projecto de remodelação dos espaços exteriores às muralhas, que tem vindo a desenvolver em Évora.

 

Para saber mais sobre este dia consultar:

http://www.international.icomos.org/18april2004-3.htm  (ICOMOS)

 

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Sunday, April 17, 2005

Explorações de ontem (e de hoje ?)

16 Agosto [1890]

 

   «Todos conhecem o viver do trabalhador do campo e das cidades. Como durante o inverno o trabalho afalcoa, por causa das chuvas que espapaçam as terras, e das obras de construção que os empreiteiros todos reservam, salvo casos especiais,  para o tempo seco, acontece que o cavador, grande parte desses meses não trabalha, e haverá que rilhar, nas suas desguarnecidas mansardas, a côdea por acaso forrada aos meses fartos. Válidos e fecundos quase todos (porque a carcaça é o único capital de que dispõem) à volta do trabalho, apagada a luz na alcova frígida, a sua única distracção é a mulher. Os filhos são o imposto que oneram então o miserável, dessa pequena delícia permitida à sua penúria, e ei-los brotando-lhe em ninhadas, do leito, com outras tantas bocas que mais agravam a fome já dolorosa de sofrer num estômago só. Das suas relações com a sociedade, aufere ele apenas  uma exploração contínua e feroz das classes preponderantes.»

 

 

Fialho D’ Almeida, Os Gatos. Publicação Mensal, de Inquérito À Vida Portuguesa, 2.º vol., Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1967.

 

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