Sono

Sono sobre a terra. Sono debaixo da terra.
Sobre a terra e debaixo da terra, corpos estendidos.
O nada em toda a parte.
Chegam homens e outros partem.
Omar Khayyam

Sono sobre a terra. Sono debaixo da terra.
Sobre a terra e debaixo da terra, corpos estendidos.
O nada em toda a parte.
Chegam homens e outros partem.
Omar Khayyam

Núcleo provisório do Museu de Évora, Igreja de St.ª Clara
Para saber quem está a estudar, e porquê, os Retábulos Flamengos do Museu de Évora e qual o concerto que os Amigos do Museu de Évora têm para lhe oferecer no próximo sábado clique no blogue do AME.
O tema para 2005, das Jornadas Europeias do Património, em Portugal, é Música Encanta o Património, sendo coordenador destas actividades o IPPAR. O “objectivo é despertar o interesse para o património arquitectónico português enquanto espaço aberto à criatividade, aos sentidos e à contemplação. Num cruzamento entre os dois universos, tangível e intangível (…).
No passado fim de semana, no âmbito das Jornadas, várias localidades organizaram colóquios, visitas guiadas, e diversas actividades musicais em espaços de interesse arquitectónico e/ou histórico (ruínas romanas, igrejas, museus, etc…). Braga, Anadia, Loures, Aveiro, Mértola, ou Vidigueira foram algumas das localidades envolvidas. Mas Évora, tendo o seu centro histórico classificado pela UNESCO, desde 1986, como Património da Humanidade nem em uma só actividade, inserida nestas jornadas, participou.
A cidade que se orgulha de ter tido uma importante escola de música, a da Sé de Évora, que tem uma Direcção Regional de Évora (IPPAR), e outros organismos do estado ou privados com tantas veleidades culturais nem um mísero concerto, ou visita guiada teve.
Vá lá que no próximo dia 1 de Outubro, Dia Mundial da Música, algumas actividades estão já agendadas.
Mas, e as Jornadas? Foi esquecimento do IPPAR ou alguém acha que Évora já tem cultura a mais (?) e que não necessita de participar numas míseras Jornadas Europeias do Património?
A primeira aparição de Fátima ocorreu esta semana.
Fátima, a de Felgueiras entenda-se, desceu dos céus, surgindo envolta num manto azul, símbolo de pureza (embora com uns laivos rosa) e com um saco azul à ilharga para gládio dos inúmeros e fervorosos crentes.
Como em todas estas coisas divinas, tem de existir uma prova, um martírio, e não é que a santa Fátima, foi logo rodeada de esbirros que a levaram para ser julgada pelo Sinédrio! Horas de angústia e temor trucidaram os mais timoratos, mas no final qual justiça, qual prisão, qual quê… Sob o benevolente pascigo da Lei e Ordem Fátima saiu incólume e risonha sem mácula alguma. Os meros 23 crimes de que é acusada mais não foram do que fábulas venenosas que certos fariseus quiseram imputar-lhe. Nada a perturbou, nem o semblante mirífico nem o seu característico penteado, que faz as delicias dos fabricantes de laca em Portugal, foram tolhidos pelo medo ou opróbrio.
Fatucha como a plebe também a designa, veio para ficar entre os seus, para sacar mais algum, e o povo, ficar ainda mais crente e convencido da santidade da autarca felgueirense. Parafraseando uma fervorosa crente: “é Deus no céu e Fátima na terra…”
Moral desta parábola: Tudo acaba bem, mesmo quando começou mal.

Orlando Ribeiro (1911-1997)
É o nome maior da Geografia portuguesa. As suas viagens, fotografias, investigações, aulas e livros são incontornáveis para quem estude Geografia, História, Antropologia, and so on….
Numa justa homenagem, ao homem e à sua extensa obra, desde Dezembro último, surgiu um site que contém o catálogo da biblioteca pessoal do geógrafo, onde se pode fazer pesquisa, e tem ainda muitas informações sobre a sua biografia, viagens e como moldou o estudo da Geografia no nosso país. Até ao final do ano deverá estar tudo catalogado e informatizado.
Os seus livros ficarão no Centro de Estudos Geográficos de Lisboa (CEG).
Site: www.orlando-ribeiro.info Mais Informações aqui.
O actual Governador Civil do Distrito de Évora, Henrique Troncho de seu nome, vai ser o próximo presidente da EDIA, o que é mais um sinal, não do Armagedon (Portugal já esteve mais longe disso) mas do descalabro e compadrio político reinante.
O dito senhor está no seu segundo mandato como governador civil e é profissionalmente sociólogo, fez a sua carreira como gestor na Segurança Social do Alentejo e é aparachick do PS há já alguns anos.
Talvez investido do seu novo cargo vá fazer um estudo sociológico sobre os graffiti da barragem do Alqueva ou sobre a cultura da beterraba e sua influência nos desvios sociais… O que é certo é que não tem nenhuma experiência na área para que foi nomeado e essa nomeação é contestada tanto pela oposição, como dentro do próprio PS, pela associação dos agricultores do Baixo Alentejo, por diversos municípios, etc…
Quais serão as capacidades e experiência deste cavalheiro para tratar com investimentos públicos avultados, em questões agrícolas, ou mesmo em administração de água (um bem estratégico)? Não existiria mais ninguém neste pais com perfil para este cargo, vital para, algum, do futuro desenvolvimento económico do Alentejo?
O que deixa transparecer é que foi mais uma recompensa, uma guloseima, oferecida a um émulo, perdão, militante/dirigente do partido que governa Portugal, sem olhar a consequências. Competência e meritocracia para se chegar a cargos de responsabilidade? Não é coisa que aconteça muito frequentemente em Portugal. Para bem dos boys e nosso mal!

Maqamas al-Hariri, pregador na mesquita de Samarcanda (séc. XIII)