L’etat cest moi…

H. Rigaud - Retrato de Louis XIV (1701)

H. Rigaud - Retrato de Louis XIV (1701)
- Um museu municipal que existe desde 1880.
- Uma excelente colecção de artesanato (cortiça, madeira, chifre…).
- Barrística de Estremoz (profana, religiosa).
- Azulejaria (séc. XV a XIX).
- Reconstituição etnológica de um quarto, cozinha e casa de fora.
Tudo isto em Estremoz no Museu Municipal Prof. Joaquim Vermelho.
No próximo fim de semana por que não visita-lo?

«Foot-ball»
«Realizou-se no pretérito domingo o treino de foot-ball entre um Grupo do Sport Lisboa e Benfica e um grupo mixto do Atheneu Desportivo Eborense e do Sport União Casa Pia, de que sahiu vencedor o grupo de Lisboa por 7 bolas a I. O grupo lisboeta dominou durante todo o jogo, o que não impediu ao jogadores de muito terem trabalhado com vontade.»
Notícias de Évora, 1916, n.º 4476

Num post a 4 de Agosto questionei-me, e aos leitores, sobre o paradeiro do espó-lio de Túlio Espanca.
Pelos vistos, segundo fonte idónea, no que toca à parte documental (livros e ma-
nuscritos) tudo continua na posse da família, que espera que a Câmara Municipal de Évora adquira este valioso complemento para o Centro de Documentação da CME. Seja como for, a vontade camarária se existe ainda não é a suficiente, já que a compra ainda não se fez… É certo que a compra deste tipo de espólio é morosa e de negociações várias e melindrosas mas o que deixa transparecer a atitude da Câmara é que não é muito importante.
Talvez outras compras ou actividades mais sonantes e glamorosas (como o Évora Fashion) sejam do agrado desta vereação…
A ver vamos como se desenrola este caso.
«Dó dos colonos.
A mulher a imolar-se pelo fogo, os velhos rabis a correrem coma Tora nos braços, os ortodoxos a rezarem a última oração, as mães a apertarem bebés ao colo, os jovens a serem arrastados por braços e pernas, o soldado a chorar amparado à sua irmã, os tanques, os gritos, as chamas, a guerra.
Dó?
Perguntem a Mohammad.
Quando os seus foram expulsos não ocupavam terra alheia. Não receberam compensações financeiras. Não tiveram caravillas, moshav, kibbutz, cidades que os acolhessem. Não causaram dó em directo. Eram centenas de milhares e não tinham um país seu.
Até agora não têm.
Ou como Mohammad diz: “Tenho 18 anos e ainda não vivi um dia bonito.”
Os colonos viveram muitos dias bonitos, nas suas casas bonitas, com jardins bonitos, à beira de praias bonitas. (…)
Assim foi, em Gaza. Quase 9000 colonos para os dias bonitos. Quase um milhão e meio de palestinianos para os dias feios. (…)»
Alexandra Lucas Coelho, Jerusalém / Público, 20 Agosto 2005.

Chagall - Amoureux dans les lilas (1930)
«Chamamos a atenção do sr. commissario de policia para o espectaculo indecoro-
so que se exhibe no lago do chafariz das Bravas.
Vêem-se alli de tarde varios rapazes, alguns já adultos, tomando banho, em completa nudez, na presença de mulheres que alli vão lavar roupas, ou de pessoas que por alli passam, e proferindo ao mesmo tempo termos obscenos.
Esperamos que se ponha cobro a este abuso.»
O Manuelinho de Évora, 13 Junho 1882, Anno II

Litografia do «Consejo economía agricultura y ganadería».
Editado pela «Delegación de Propaganda y prensa». Valência. (1937)
Para quem é leitor do Expresso ou segue atentamente o que se passa na cidade de Évora já deve saber que a dízima regressou à urbe do Geraldo Sem Pavor.
Não se assustem, não está generalizada, “apenas” circunscrita à Sé de Évora. Dá-se o caso, inédito em Portugal, que a partir do dia 1 de Agosto para se entrar na Sé eborense tem de pagar 1 euro (???), seja para visitar ou rezar. Os funcionários assim que o incauto visitante entra no espaço sagrado cobram, sem contemplações a “dízima”. Para quem queira visitar o claustro e o Museu da Sé tem de desembolsar 3 euros, o que lhe dá acesso também ao templo. A única excepção a este insólito caso verifica-se na missa dominical.
Sejam turistas ou naturais de Évora não importa, têm de pagar para entrar num espaço que é do estado. Nem mesmo o IPPAR autorizou esta medida, nem está de acordo com ela. A ver vamos como vai reagir este organismo estatal, se com firmeza para acabar com este abuso, ou com paninhos quentes.
Ao dinheiro recolhido não se sabe muito bem para onde vai, se para gastos de manutenção e conservação do espaço, ou para outros fins…
Esperemos que esta situação não perdure muito mais tempo, nem que a moda pegue, em Évora ou noutro local.
De referir que tirando um ou outro caso pontual (Capela dos Ossos, e Igreja dos Loios) as entradas nos templos católicos eborenses são grátis.
Esta imposição arbitrária faz-me lembrar uma outra acção que o Cabido da Sé de Évora (a entidade que em parte governa uma diocese) fez há já alguns anos atrás, proibindo o acesso ao seu fabuloso arquivo, que pasme-se está por lei na posse do estado… Enfim, modos pré-tridentinos de agir!